Retornar a Novo Horizonte (Interior de São Paulo) pela segunda vez, para participar do Congresso Conexões Inclusivas, foi uma experiência de muita alegria, gratidão e troca.
Nos dias 26 e 27 de setembro de 2026, tive a honra de participar do 2º Congresso Conexões Inclusivas, promovido pela COOPENNH, levando a palestra: “Quando o cérebro aprende: a sala se transforma – Neurociência, Funções Executivas e Ludicidade na Educação.” Para além de apresentar conceitos, minha intenção foi criar uma experiência imersiva para o público presente.
Convidei os participantes a experimentar, brincar, movimentar-se, observar e refletir sobre aquilo que acontece quando aprendemos. Afinal, compreender como o cérebro aprende também significa repensar como estamos criando oportunidades para que nossos alunos aprendam.
Falamos sobre funções executivas e sobre como atenção, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, planejamento e autorregulação estão presentes nas experiências cotidianas de aprendizagem.
Conversamos sobre neuroplasticidade e sobre a importância de oferecer experiências significativas, que envolvam não apenas o cérebro, mas também o corpo, as emoções, as relações e a participação ativa da criança.
A ludicidade também ocupou um lugar central: brincar não significa diminuir a intencionalidade pedagógica. Ao contrário: quando há planejamento e objetivos de aprendizagem, a brincadeira pode constituir um contexto potente para experimentar, criar, resolver problemas, interagir e construir conhecimentos.
Finalmente, chegamos a um tema que considero essencial: a criatividade.
Inspirada pelas contribuições de Mitchel Resnick e pelos quatro pilares da aprendizagem criativa (Projetos, Paixão, Pares e Brincar), propus uma reflexão sobre o quanto nossas salas de aula podem se transformar quando damos às crianças espaço para imaginar, experimentar e criar.
Mas falar em aprendizagem também é falar em inclusão. E inclusão, como discutimos durante a palestra, é fundamentalmente participação. Por isso, deixei duas perguntas para os professores levarem consigo:
- De quantas maneiras diferentes meus alunos podem participar?
- Que apoios posso oferecer para evitar a sobrecarga cognitiva?
Essas perguntas são especialmente importantes quando pensamos em uma escola que acolha a diversidade e considere também as diferentes formas de aprender e participar de crianças neurodivergentes.
Talvez uma das maiores contribuições da neurociência para a educação não seja oferecer “receitas” para ensinar, mas nos ajudar a fazer melhores perguntas sobre nossas práticas.
- O que posso transformar na minha sala?
- Que experiências estou proporcionando?
- Estou criando oportunidades para que meus alunos sejam apenas espectadores ou também possam participar, experimentar, criar e transformar?
Ao final da palestra, uma ideia sintetizou nossa reflexão:
“Quando a sala acolhe, desafia e inclui, a aprendizagem ganha novas possibilidades.”
É exatamente essa educação que acredito que precisamos construir: uma educação que reconheça a singularidade de cada criança, que compreenda o desenvolvimento como um processo dinâmico e que transforme a sala de aula em um espaço de participação, criatividade, vínculo e aprendizagem significativa.
Voltar a Novo Horizonte foi especial também porque um congresso não acontece apenas no palco. Ele acontece nas perguntas que surgem, nas experiências compartilhadas, nas conversas nos intervalos, nos encontros e naquilo que cada profissional leva consigo para sua prática.
Minha profunda gratidão à COOPENNH, à organização do 2º Congresso Conexões Inclusivas, aos colegas palestrantes e a todos os profissionais que participaram comigo dessa experiência. Volto para casa com a certeza de que, quando compartilhamos conhecimento e abrimos espaço para experimentar, todos também aprendemos.
E talvez seja justamente aí que a transformação começa.
Quando o cérebro aprende, a sala se transforma.
Por Andrea Azevedo, Professora de Música do Colégio Harmonia e Mestra em Neurociência e Cognição.