A história do Sr. Silvio Sugano começa no interior paulista, em Álvares Machado, onde viveu os primeiros anos entre o sítio da família, o cultivo do café e uma vida marcada por costumes simples. Aos poucos, as circunstâncias o levaram para mais longe: primeiro Guarulhos, depois São Bernardo do Campo, onde, em 1975, iniciou o curso de Engenharia Elétrica, na FEI. Para conseguir estudar, precisou se adaptar, trabalhar e encontrar seu próprio caminho. Foi nesse momento que a Casa dos Estudantes Harmonia entrou em sua história.
Em meados dos anos 1970, Sr. Silvio chegou à Casa, indicado por conhecidos, e encontrou um ambiente muito diferente daquele em que havia crescido. Eram mais de cem estudantes, vindos de realidades diversas, compartilhando refeições, horários, regras, atividades esportivas e, principalmente, a convivência. Até os trotes, hoje lembrados com carinho, tinham seu papel: “Era uma espécie de apresentação. Como cada um era, foi muito bom”. Para ele, aquele cotidiano ajudava a deixar as pessoas “mais soltas, mais à vontade”.
Foi nessa convivência cotidiana que Sr. Silvio encontrou alguns dos aprendizados que levaria para a vida. A Casa lhe ensinou autonomia, disciplina e, sobretudo, comunicação. Para quem vinha de uma comunidade pequena e de uma realidade mais reservada, aprender a conviver, ouvir, se adaptar e se expressar diante de pessoas.
diferentes foi uma passagem importante entre o mundo da família e a sociedade. “Harmonia, faculdade, sociedade. Foi um passo a passo muito interessante. A Harmonia tem uma parte importante nisso.”
A carreira profissional também foi construída passo a passo. Silvio trabalhou por 23 anos na Toshiba e outros 10 anos na WEG, atuando na área de motores de indução de grande porte, projetos e suporte técnico a gerentes industriais. A experiência acumulada ao longo de 35 anos de profissão reforçou uma convicção que, para ele, começou muito antes: conhecimento não deve ser guardado, mas compartilhado. “Se você sabe, tem que educar o próximo. Não é o único dono da verdade. Tem que passar o conhecimento e fazer esse conhecimento se manter vivo.”
Aos 74 anos, Silvio ainda carrega a Casa dos Estudantes na memória — e na saudade. As viagens, as visitas ao Instituto Butantan e à Assembleia Legislativa, as amizades e até as pequenas aventuras daquela época permanecem vivas. “Se não sentisse saudade, não estaria aí”, diz, ao lembrar dos encontros dos antigos moradores. E deixa aos novos estudantes uma mensagem que resume sua própria trajetória: “Existem etapas a serem cumpridas, e o conhecimento é muito importante. Saibam trabalhar sua própria capacidade.”