Cultura

A magia do Teatro invade o palco do Colégio Harmonia

Novembro foi mês de palco iluminado, de respiração presa na coxia e de aplausos. Sob a direção sensível e precisa do professor de Teatro João Carvalho, o Joca, que há 20 anos marca a história do Colégio Harmonia com sua arte e dedicação, o auditório da escola se transformou em um grande encontro entre arte, memória e juventude. Foi um daqueles momentos em que o teatro cumpre sua função mais nobre: revelar o humano, provocar encantamento e criar laços invisíveis entre quem assiste e quem se arrisca diante da plateia.

O espetáculo do EFAF (Ensino Fundamental Anos Finais) abriu a programação com poesia, irreverência e uma homenagem profundamente brasileira. Um grupo de palhaços (malucos, generosos e cheios de teatralidade) invadiu o auditório para apresentar seus números e, ao fazê-lo, prestou tributo a mestres que moldaram a história do circo no país.

Torresmo, Arrelia, Picolino, Chicharrão, Piolin e tantos outros foram lembrados não como figuras distantes, mas como artistas que viveram e morreram sob a lona, espalhando alegria por gerações. No palco, os alunos devolveram essa alegria com verdade cênica, entrega e respeito à tradição circense.

Em seguida, o Ensino Médio trouxe ao palco uma comédia deliciosa sobre o próprio fazer teatral. Seis amigos, completamente inexperientes, decidiram montar “Píramo e Tisbe” para uma apresentação oficial diante do governador.

E o que poderia dar errado? Tudo, e é justamente isso que faz a peça vibrar. Entre tropeços, improvisos, marcações reinventadas e figurinos criados às pressas, os estudantes encenaram uma verdadeira celebração ao erro como possibilidade criativa. No grande dia, mesmo com equívocos hilários e interpretações improváveis, conquistaram o público com carisma e potência cômica.

Todas as peças fazem parte de uma abordagem pedagógica do teatro, como explica o professor Joca. “Eu vejo o teatro pedagógico como algo para todos. Ele (teatro pedagógico) tem que ser transformador, agregar à criança alguma transformação, para que ela possa se descobrir, se transformar, tudo aos poucos. Aqui, no Colégio Harmonia, trabalho com estímulos para que tanto uma criança mais tímida como uma mais espontânea possam trabalhar coletivamente. Essa é a pedagogia no teatro”, disse.

Por fim, o trabalho dos 4ºs anos surgiu como uma participação especial dentro da programação, fruto do projeto ‘Entre Contos e Cantos’, desenvolvido ao longo do ano pelas professoras do ciclo em parceria com os professores Joca (teatro) e Andrea (música). Fechando com chave de ouro, os alunos cantaram ‘João e Maria’, de Chico Buarque, em um momento que uniu vozes, sensibilidade e lirismo.

A cada transição de cena, era possível perceber o rigor do processo criativo. Dos exercícios de expressão corporal ao estudo de personagens, dos ensaios exaustivos às escolhas de ritmo cênico, cada grupo demonstrou maturidade artística e uma compreensão crescente da linguagem teatral.

A noite reuniu histórias de superação, coragem e cumplicidade, expressões vivas da formação integral que o Colégio Harmonia promove. Houve quem enfrentasse o medo do palco, quem descobrisse o prazer de improvisar, quem sentisse pela primeira vez o silêncio da plateia antes do aplauso, esse instante mágico em que tudo pode acontecer.

“Nem vocês sabiam que eles eram capazes de fazer isso, né?”, disse Joca, ao final das apresentações, emocionado.

A arte ensinou, mais uma vez, que criar é um ato coletivo; que subir ao palco é também um gesto de confiança; e que a escola, quando abre espaço para a expressão artística, entrega ao mundo jovens mais sensíveis, criativos e conscientes. Foi uma noite grandiosa, dessas que transformam não apenas quem assiste, mas também quem vive a experiência de dentro para fora.