Artista japonês Yasuichi Kojima compartilha sua história de imigração com alunos do Colégio Harmonia
O Colégio Harmonia teve a honra de receber o artista e ceramista Yasuichi Kojima. Aos 90 anos, ele participou de um bate-papo enriquecedor com as turmas do 3° ano no auditório da escola.
A visita fez parte dos trabalhos de pesquisa que os estudantes estão realizando sobre Imigração, Emigração e Migração para a Feira das Ciências, programada para o próximo dia 26 de outubro.
A viagem para o Brasil
Nascido na província de Guifu, no Japão, em 1934, Kojima imigrou para o Brasil no navio “Santos Maru” em 1953, aos 19 anos. “Vim sozinho e com 50 dólares no bolso”, revelou o artista aos alunos curiosos.
Kojima compartilhou suas experiências, incluindo as dificuldades enfrentadas durante a longa viagem ao Brasil. “A viagem durou 45 dias e não tinha muita coisa para fazer. Eu dormia muito e passei muito mal, vomitava bastante”, contou ele.
Ao chegar em São Paulo, o artista se estabeleceu na cidade de Mauá, onde fundou a Kojima Porcelanas, uma fábrica pioneira no estilo japonês. Sua iniciativa contribuiu para transformar Mauá em um importante polo de fabricação de cerâmica no cenário nacional.
Durante o evento, Kojima foi presenteado com uma cerâmica do Colégio Harmonia e revelou que foi ele quem introduziu essa técnica no Brasil. Quando perguntado sobre o que não gosta no país, ele mencionou o alho, mas expressou seu apreço pelo tradicional arroz, feijão e bife brasileiros.
A visita foi intermediada por Vanessa Daratioto Damo, mãe da aluna Eduarda, de 9 anos, destacando a importância da parceria entre a escola e as famílias. “Nós morávamos em Mauá, então, já visitamos a fábrica do sr. Kojima algumas vezes. Acho muito importante passar essas histórias para as minhas filhas, não podemos deixar morrer”, afirmou Vanessa.
Eduarda, que já conhece bem a história de Kojima, compartilhou seu entusiasmo: “Ele veio novo para o Brasil, não sabia direito falar o português. Eu gosto muito da história dele. Além de fazer as cerâmicas, ele também pinta.”
O diretor Edilson Bertucci aproveitou o momento para agradecer a presença de Kojima e fez referência à expressão japonesa “Ichigo ichie”, que significa “uma oportunidade, um encontro”.
“Foi o que aconteceu hoje aqui. Tivemos a grande oportunidade de receber uma pessoa que veio do Japão, com 90 anos de idade, falando muito bem e contando as suas histórias. Foi uma lição para a vida”, concluiu o diretor.
A visita de Yasuichi Kojima não apenas enriqueceu o projeto de pesquisa dos alunos, mas também proporcionou um valioso momento de aprendizado intercultural e histórico para toda a comunidade escolar do Colégio Harmonia.