Competências socioemocionais são essenciais para o aluno do século 21, dizem especialistas

Novas funções da escola para a vida do estudante são debatidas no encontro internacional Educação 360

RIO — Nota alta em português, matemática, geografia... Mas quem disse que isso garante um futuro promissor ao aluno? Nesta sexta-feira, no encontro internacional Educação 360, uma realização O GLOBO e "Extra", em parceria com prefeitura do Rio e Sesc, e com apoio da TV Globo e do Canal Futura, a função da escola na vida dos estudantes no século 21 foi tema da mesa de debate "Novos alunos, velhos alunos? E o papel das competências socioemocionais", com Mozart Ramos Neves, atual diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna e secretário de Educação de Pernambuco entre 2004 e 2006, e Luiz Carlos Freitas, professor da Faculdade de Educação da Unicamp e autor de sete livros, com mediação do jornalista Antônio Gois, colunista do jornal "O Globo" especializado em Educação.

Cada um dos dois convidados teve 20 minutos para manifestar suas ideias. No púlpito, Freitas começou seu tempo propondo uma mudança:

— Vamos pensar em velhos alunos, novos estudantes. Pode parecer bobagem, mas não é. Sabemos que o aluno mudou. Os alunos hoje têm outras expectativas, outras vivências fora da escola. Mas não basta reconhecer isso. É fundamental entender que temos um novo aluno em uma velha e mesma escola, que não muda sua estrutura, sua organização, sua gestão, seus métodos de aprender e de ensinar.

Para Freitas, as novas formas de comunicação quebraram o monopólio da escola. Se antes a única porta de entrada do aluno para a vida era o professor, hoje as coisas estão bem diferentes.

— Escola não é um prédio. É uma relação. Temos que olhar para a escola e para as relações que têm ali dentro indagando quais são as velhas funções da escola que nós queremos que ela pare de cumprir e quais são as novas funções sociais que queremos que ela apresente. A relação de exclusão e subordinação de aluno e professor já não funciona mais. Se a gente não mexer nisso não tem como falar em autodesenvolvimento do aluno. Tudo o que o jovem não quer é ser tratado como um inválido dentro da escola. Ele quer encontrar um significado naquilo que está aprendendo. Não adianta encher de tecnologia, joguinhos... Ele continuará isolado — analisou Freitas, que foi enfático ao afirmar que os processos de ensino emburreceram os professores: — O professor tem que seguir protocolos de ensino, usar apostilas, jogos, dvds... As coisas estão definidas. Viram para ele e dizem: "É isso que você tem que fazer". Esses protocolos tem suas funções, é claro, causam a paralisia do professor.

Mozart reconheceu que o tema da mesa de debate é relativamente novo: como trabalhar as novas competências socioemocionais? Ele usou como exemplo o Colégio Estadual Chico Anysio, uma escola pública de referência na qual está sendo desenvolvida uma proposta curricular inovadora criada pelo Instituto Ayrton Senna para o ensino médio em tempo integral. Segundo o professor, o CECA vem apresentando resultados superiores a outros colégios da rede pública na prova estadual Saerjinho (processo de avaliação bimestral do processo de ensino e aprendizagem nas escolas).

— O desafio hoje é como oferecer uma escola que caiba na vida do aluno. As crianças e jovens do século 21 merecem uma educação do século 21 — afirmou ele, que criticou o excesso de exercícios em sala, repetições, testes...: — Eles podem até apresentar bons resultados, mas não é o que o aluno precisa para a vida.

Para Mozart, essa mova visão para a escola não implica em deixar de lado as habilidades cognitivas, mas investir nas chamadas habilidades socioemocionais. Ou melhor: habilidades para a vida.

— Estudos têm mostrado que quando você potencializa essas habilidades no projeto pedagógico da escola você contribui não só para a melhoria da aprendizagem escolar e para o clima de paz nas escolas, mas também para o desenvolvimento futuro de nossas crianças e nossos jovens, em termos pessoais e sociais. Não tem mais que existir aquele alguém que sabe tudo. Nem o pensamento de que o aluno só aprende na sala de aula.

Fonte O Globo

Colégio Harmonia

Av. Caminho do Mar, 2709

Rudge Ramos - São Bernardo do Campo - SP

11 4368 9560

desenvolvido por Orion Public